Como ser bem atendido em bares e restaurantes no exterior

September 17, 2015

Quando visitamos um amigo com quem ainda não temos muita intimidade, nos preocupamos minimamente em entender como as coisas funcionam em sua casa antes de abrirmos sua geladeira e sentarmos no seu lugar preferido à mesa. Parece-me que, em geral, o mesmo não ocorre quando vamos a um bar ou restaurante no exterior. Entender algumas normas de conduta de certas culturas nos ajuda muito a sermos melhor tratados e atendidos em nossas viagens para fora do país.

 

Não chame o garçom de “meu galo”

 

Nós temos uma informalidade que, por vezes, soa desrespeitosa em certos países e, por isso, deve ser observada. Argentinos e espanhóis, por exemplo, são muito mais formais do que os brasileiros, tanto que no próprio sistema pronominal da língua espanhola (e de muitas outras) há marcas funcionais de formalidade (há diferenças significativas entre tratar alguém por “tú” ou por “usted”, por exemplo).

 

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Na primeira vez que fui a Buenos Aires, cometi todas as gafes possíveis. Já no primeiro dia, ao chamar o garçom de “mi amigo”, uma amiga argentina que estava comigo me olhou e disse: “Cézar, el mozo no es tu amigo”. Neste mesmo dia e neste mesmo restaurante, não satisfeito, estalei os dedos para chamar a atenção do mesmo garçom, ao que, prontamente, minha amiga disse: “Cézar, el mozo no es tu perro”.

 

Na França, o grau de formalidade é ainda maior (e também está marcado no sistema pronominal da língua). Uma amiga me deu duas dicas preciosas: primeira, sempre dê um “Bonjour, madame/monsier” ao chegar em um estabelecimento (faz uma diferença incrível!); segunda, evite dividir um prato em um restaurante. Por alguma razão que desconheço, isso soa bastante desrespeitoso e, inclusive, alguns lugares não irão permitir.

 

"Tá" com pressa? Não se levante e vá pagar a conta!

 

Em muitos países, o garçom é o responsável pelo acerto da conta. Isso quer dizer que ele cobra, fica com o dinheiro e, ao final do expediente, acerta com o caixa seus pedidos. Isso significa que é a ele que devemos pagar. Levantar-se e ir diretamente ao caixa pode ser uma grande ofensa a quem está lhe atendendo. Na minha primeira e épica viagem a Buenos Aires, cometi (também) este pecado (pelo menos não foi no mesmo restaurante). Ele foi tão grave que o caixa me perguntou se eu havia sido mal atendido ou se o serviço estava muito demorado. Pelo menos, aprendi!

 

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Há 20 amigos, não tente passar 20 cartões de crédito!

 

No Brasil, há um hábito de se cobrar separadamente a conta. Ou seja, se vou a um bar ou restaurante com alguns amigos, na hora de acertar a conta, o garçom não irá se importar de cobrar individualmente o consumo de cada um. É um costume que me parece justo, mas que é difícil vermos lá fora.

 

Na maioria dos países europeus, se estamos com um grupo de amigos, antes de pagar a conta, devemos acertar “entre nós”. Ou seja, nada de passar dez cartões de crédito. Paga-se a alguém do grupo que passa seu cartão ou, mais comumente, se faz uma espécie de “caixa” em que todos contribuem com uma quantidade X e gasta-se até acabar o montante. O garçom, certamente, se negaria a cobrar individualmente a conta. Tenho alguns amigos espanhóis que adoram nossa forma de pagar a conta, mas não se atreveriam a propô-la em um bar na Espanha.   

 

Dê gorjeta ainda que ela não tenha vindo na conta!

 

Em muitos outros países, o nosso famoso 10% não vem incluído na conta. As pessoas do país, no entanto, costumam deixar de gorjeta algo que gira os 10% (dependendo do país e da qualidade do serviço, às vezes até mais). Se você foi bem atendido, soa de extremo mau gosto não deixar nada para o garçom. Acontece que estamos tão acostumados a “engolir” uma gorjeta que nem sabemos se será direcionada a pessoa que nos atende que, quando ela não aparece na conta, muitas vezes, nem cogitamos ofertá-la.

 

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Um amigo que trabalha em um restaurante em Londres me disse que a maioria dos turistas brasileiros não deixam gorjeta. Isso é terrível para todos nós, pois, imagine, um garçom atende muito bem três mesas de brasileiros, mas nem uma delas deixa gorjeta. A probabilidade da quarta (que pode ser você) ser mal atendida é bastante grande. Mudar esta realidade é um trabalho que compete a todos nós. De repente, aquele mesmo garçom que atendeu as três mesas e não ganhou gorjeta ao se surpreender com a quarta (que deixou) pode pensar em atender melhor a quinta.

 

Tudo isso é muita frescura!

 

Algumas coisas podem parecer um pouco exageradas aos nossos olhos, mas devemos lembrar que somos nós os visitantes e, por isso, temos que nos adaptar, não o contrário. Parece-me muita pequenez de nossa parte afirmarmos que outros povos são mal-educados se não nos dispomos a conhecê-los minimamente antes de visitá-los.

 

Caso você tenha histórias da sua experiência em bares e restaurantes em outros países, não deixe de compartilhar com a gente!

 

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